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quinta-feira, 30 de abril de 2015

UM PAÍS SE FAZ COM ARMAS E DROGAS

CORONEL SE REFUGIA NA ESPANHA E DENUNCIA O USO DE AVIÕES MILITARES DA BOLÍVIA PARA O NARCOTRÁFICO E TERRORISMO, SOBREVOANDO O BRASIL
PORQUE OS AVIÕES NÃO SÃO ABATIDOS?



Os aviões da cocaína

Coronel boliviano confirma o fluxo aéreo de drogas, armas e militares entre Bolívia, Venezuela e Irã, e acusa o presidente Evo Morales de participação direta no esquema
(Duda Teixeira - repórter revista Veja)

Um narcoestado torna-se realidade quando um governo é conivente com o tráfico de drogas e divide o poder com os criminosos. O caso mais ilustrativo é o da Bolívia, governada pelo presidente Evo Morales, líder sindical de produtores de coca, e também elo de uma trama internacional formada por Venezuela e Irã. Nos últimos anos, aviões militares venezuelanos sobrevoaram o território brasileiro para levar à Bolívia tropas, armas e viaturas militares. De lá, retornaram para a Venezuela com toneladas de cocaína. Parte da droga era embarcada em um voo comercial com destino a Damasco e Teerã. Na volta, o voo trazia dinheiro e terroristas. O trecho entre Caracas e o Oriente Médio foi apelidado de "aeroterror", e funcionou até 2010. Esse "tráfico" aéreo, que tem sido denunciado por VEJA desde 2011 com base em documentos confidenciais da polícia boliviana e da diplomacia brasileira, foi confirmado na semana passada por Germán Cardona Álvarez, um coronel do Exército boliviano.

Cardona está refugiado na Espanha. Ele diz ter recebido ameaças em seu país por ter enviado ao Comando do Exército, no dia 20 de fevereiro, um relatório de trinta páginas com denúncias de envolvimento de membros do governo em casos de corrupção e narcotráfico. A acusação mais grave é que Evo Morales negociava pessoalmente os envios de cocaína para a Venezuela. Cardona reuniu fatos que presenciou como assessor jurídico do Exército e histórias que escutou de autoridades municipais do Chapare, a principal região produtora de coca do país. Ele diz ter apenas cumprido com sua obrigação de expor aos superiores as informações que recebia. Seu relatório foi desviado e ele passou a receber ameaças de Jose Hugo Moldiz Mercado, ministro de governo.

Como assessor jurídico da Oitava Divisão do Exército, Cardona recebeu, em março de 2009, um pedido para que armas pesadas que tinham sido confiscadas de criminosos fossem colocadas à disposição do governo. Ele se recusou a autorizar a entrega. Recebeu, então, a visita de seu superior militar, acompanhado de Juan Ramón Quintana, ministro da Presidência e o segundo homem mais poderoso da Bolívia. O coronel se viu obrigado a ceder e o lote foi transportado em uma ambulância. Dias depois, Cardona descobriu a finalidade das armas. Elas foram exibidas em público e vinculadas aos três estrangeiros chacinados por uma unidade de elite da polícia boliviana no Hotel las Américas, em Santa Cruz de la Sierra, no dia 16 de abril. Os mortos foram acusados de fazer parte de um complô para matar o presidente. A revelação do coronel reforça a tese de que tudo não passou de uma armação do governo boliviano para culpar a oposição e se perpetuar no poder.

"É tudo entre Morales e Maduro"

Ameaçado por membros do governo boliviano, o coronel Germán Cardona Álvarez fugiu sem a família para Madri, na Espanha, onde anos atrás fez uma pós-graduação.

Ele falou a VEJA por telefone

Qual é o conteúdo do relatório que o senhor enviou ao Comando do Exército boliviano em fevereiro?

Escrevi sobre os aviões militares venezuelanos que aterrissam no aeroporto internacional de Chimoré, na região de Chapare, e descarregam armamento militar, como fuzis Kalashnikov e mísseis antiaéreos. Depois, essas aeronaves são carregadas com cocaína da Bolívia e do Peru e voam até o aeroporto venezuelano de Maiquetía. Lá, a carga é transferida para aviões do Irã, de Cuba e da Líbia. Depois, a cocaína segue até a Europa e os Estados Unidos. Quem toma conta disso na Bolívia é Juan Ramón Quintana (ministro da Presidência), Álvaro García Linera (o vice-presidente) e Raúl García Linera, seu irmão.

O presidente Evo Morales está envolvido?

Morales vai ao aeroporto de Chimoré com a finalidade de fazer negócios quase todos os sábados, desde 2011. As pessoas o recebem e ele fala com gente do governo da Venezuela. É tudo um negócio entre Morales e Maduro. O aeroporto é controlado pelos grupos municipais. As Forças Armadas não entram.

Há outros governos metidos nessa rota de tráfico para o Oriente Médio?

Há alguns anos, foi firmado um convênio secreto entre a Venezuela e o Irã para criar um voo entre Maiquetía e Teerã. A bordo, levavam-se cocaína, drogas, dinheiro e jihadistas.

Por que tantas armas estão chegando à Bolívia?

Eles (os altos funcionários do governo) querem criar uma força paralela ao Exército. É algo que Quintana, Linera e Morales chamam de Guarda Plurinacional Popular. Pensam que esse povo armado poderia defendê-los, se necessário.

Quantos aviões com cocaína já foram para a Venezuela?

Para saber isso, basta ligar para a Aeronáutica do Brasil e perguntar quantos aviões militares venezuelanos já receberam permissão para atravessar o espaço aéreo brasileiro.

São aviões grandes, como o Hércules C-130?

Sim, mas também há outros menores, de marca russa.

O Brasil entra nessa história?

Juan Ramón Quintana é o responsável por negociar cocaína com os brasileiros. Ele tem pistas clandestinas na Bolívia, perto da fronteira, que são vigiadas por gente armada, civis e militares, incluindo venezuelanos. Quando Quintana esteve a cargo de cuidar da fronteira, ele organizou o narcotráfico e costurou negócios ilícitos e de venda de madeira e de gado com o Brasil. Seu braço-direito é Jéssica Jordan. Quintana ainda montou um grupo dedicado à cocaína chamado Cartel das Estrelas, com oficiais das Forças Armadas e da polícia. Eles têm ligações com Venezuela, Brasil, com as Farc da Colômbia e com os mexicanos. São um apêndice do Cartel dos Sóis, formado pelos venezuelanos.

Revista Veja EDIÇÃO 2423 (2015)

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