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domingo, 29 de maio de 2016

EXCLUSIVO: DELEGADA PATRÍCIA NUNO PRESENTEIA O BLOG COM UMA CRÔNICA POLÍCIAL

A DELEGADA PATRÍCIA NUNO ESCREVE SOBRE O COTIDIANO DA SUA VIDA POLICIAL.
Com uma veia jornalística e muita afinidade para a literatura, a delegada, que ingressou recentemente na seara da natureza humana, através dos conhecimentos enigmáticos da psique, como estudante de psicologia,o que prova que além de policial a delegada, conhecida pela sua atuação e beleza; é também uma intelectual.
A mesma fez questão de nos enviar, com exclusividade essa crônica, onde mostra a aflição de uma mãe esperançosa que prefere o filho preso, após alvejado; do que envolvido no tráfico. Vale a pena conferir.
" BEIÇO

Há muito tempo, desde quando já nem lembrava, começou a vender balinhas para Beiço, seu vizinho da Mata Escura. Sujeito bacana, o Beiço; ele oferecia a balinha e os meninos nem tinham que pagar na hora ou se não gostassem, mas a balinha era tão boa que sempre voltavam para buscar mais.

Eram balinhas de folha que, em vez de chupar, fumavam enrolado feito cigarro, sentindo uma moleza gostosa, principalmente aos finais de tarde, quando o sol caia em festa de maresia na esquina de Beiço!

E foi num fim de tarde desses que Ezequias estava passando balinhas, pra ver se do que vendia sobravam trocados suficientes para pagar as que ele mesmo usaria. Uma espécie de jogada que só garoto esperto sabe fazer. Estava às 16:20 naquele mesmo ponto chamado Inferninho, quando a Policia desceu de repente, fazendo subir a poeira do arrasta pé daquele mundão de gente correndo em disparada a gritar: “lá vem os home!”.

Ezequias correu sem olhar pra frente, senão desengonçado tropeçando na sua lerdeza, tentando emoldurar em alça de mira os homens que vinha detrás, em seu encalço. Efetuou alguns disparos com o revolver que havia acabado de comprar por cem contos, na Feira do Pau, mas o único tiro certeiro foi o que veio de lá pra cá, atingindo em cheio a sua medula espinhal Zonzo, Ezequias caiu, e antes de perder os sentidos, viu Beiço passar algemado, cercado de policiais com seu saco de balas. O mundo girou na sua mente, a luz se apagou de repente.
Sirene e só.
Não sabe quanto tempo passou, de muito já não lembrava, mas viu que quando acordou,estava numa maca de hospital, com as pernas paralisadas, o Ezequias. A sua mãe ao lado,chorosa e com o terço na mão, avisou que ele não iria voltar a andar, e que era melhor dedicar-se aos estudos de agora em diante, quando lhe restavam apenas os livros daquela desatualizada biblioteca na casa de Dete *, a sua nova morada. As mães sempre sabem das coisas, e foi tanto que lhe avisou, mas crente e temente a Deus, tinha que manter a fé e resignação, acreditando que podia significar livramento para o seu filhinho Ezequias, a experiência de uma prisão. Pelo menos ali, sentado, quieto e dedicado à leitura, estaria vivo!!

O mesmo não se podia dizer de Beiço; este sumiu na própria fumaça, ninguém mais dele ouviu falar. Mas dizem que na boca do inferno, final de tarde, todos os dias aparece um vulto malemolente que sopra um vento de arrepiar a alma, e entorpecer os sentidos.

Pois é.....está pensando que Beiço de jegue é arroz doce? Balinhas..."
*- Casa de "dete" - casa de detenção, no jargão policial

2 comentários

Unknown 30 de maio de 2016 15:20

Excelente texto!

Ivo Pinheiro 30 de maio de 2016 19:26

Realmente traduz a verdadeira história da nossa sociedade.